A Quaresma vivida por João Paulo II

Joao Paulo II na QuaresmaNesta quaresma, diante da canonização de João Paulo II que se aproxima, detenhamo-nos a contemplar como ele a vivia, pois, como já sabemos, as práticas quaresmais também o conduziram à Santidade.

Desde o primeiro dia da Quaresma, a Igreja se põe a caminho. Esse caminho conduz ao dia da Páscoa. E nós, juntamente com Cristo, caminhamos por um deserto. Nos pronunciamentos da Quaresma, o Santo Padre João Paulo II explicava que, para o cristão, o caminho através do deserto é “uma experiência direta da sua própria pequenez diante de Deus”. E ainda “uma mais profunda sensibilização diante da presença dos irmãos pobres”. Por isso nos pedia que a nossa conversão quaresmal se realizasse por “um gesto concreto de amor” demonstrado ao homem em necessidade; uma forma concreta de viver a  esmola.

Para as pessoas de todo o mundo ele repetia: “Arrependei-vos e crede no Evangelho”. E explicava que esta exortação é o começo do caminho da conversão e da renovação. Caminho que acontece por meio da oração, do jejum e das obras de misericórdia.  Já no primeiro ano do seu pontificado disse: “O próprio Cristo nos mostra no Evangelho um programa rico para a conversão”.

Mieczysław_MokrzyckiHavia nele uma grande humildade – testemunha isso aquele que foi o seu segundo secretário (desde 1996 até 2005), o arcebispo Mieczysław Mokrzycki, mas havia nele também uma certa fome da Palavra de Deus.Ele queria, de verdade, preparar-se para essas festas litúrgicas o melhor possível. Alguém de nós se prepara tão cuidadosamente para a morte e ressurreição de Cristo?

Isso era para ele muito importante. E se importava muito que na quaresma nos fizéssemos melhores pessoas. No ano de 1983 recordou: “No dia solene da inauguração do meu pontificado disse: ‘Abri de par em par as portas de Cristo’ Hoje eu digo: ‘Abri amplamente os vossos braços, para dar verdadeiramente aos vossos irmãos em necessidade tudo o que puderem! Não tenham medo! Sede, cada um e todos, novos e incansáveis trabalhadores do amor de Cristo’”.

Como um bom pai animava: “O bom samaritano é cada um e cada uma de nós! Por vocação! Por obrigação! O bom samaritano vive com amor” Podia parecer que o Santo Padre falava de coisas óbvias – explica o arcebispo Mokrzyck. Porém, quando chamava a revisão da própria vida, à confrontação com a Palavra de Deus, isto tinha que interpelar. Quem o escutava, com atenção,  podia ouvir que o Santo Padre mandava refletir sobre si mesmo. E perguntar-se: Eu vivo, em verdade, assim como queria Cristo?

João Paulo II e a EucaristiaQuaresma, Céu e Eucaristia – Sobre a Quaresma, dizia que é um dom de Deus. E que é necessário saber receber esse dom. Receber com humildade. Viver na verdade. Pensar quando há em mim de filho de Deus. Inclinar a cabeça. E deixar de acreditar que vivemos para as coisas terrenas. Porque – como recordava – a Quaresma é um tempo para dar-se conta de que “a nossa pátria está no céu”.

“Receber a Eucaristia é entrar em comunhão profunda com Jesus. «Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós» (Jo 15,4). Esta relação de íntima e recíproca «permanência» permite-nos antecipar de algum modo o céu na terra. Não é porventura este o maior anseio do homem?  A comunhão eucarística foi-nos dada para «nos saciarmos» de Deus sobre esta terra, à espera da saciedade plena no céu”. (Mane Nobiscum Domine, nº 19)

Amor à vida e respeito à morte – “A vida humana é um dom precioso, deve ser amada e defendida em cada uma de suas fases”.  Disse-nos, preparando-nos para o dia da morte e ressurreição de Cristo, ou seja, que amássemos a vida. E, preparando-nos para o dia da sua morte, o Papa escreveu: “O mandamento ‘não matarás’ exige sempre o respeito á vida, desde a concepção até a morte natural”. E explicou: “esse mandamento obriga também, diante da enfermidade e quando a diminuição das forças limita ao homem a capacidade de sua autonomia. Se o processo de envelhecimento com suas inevitáveis condições é aceito com bom estado de ânimo, à luz da fé, pode converter-se em uma valiosa ocasião para uma melhor compreensão do mistério da cruz, que confere pleno sentido a vida humana”

2Papa João paulo IIÚltima Sexta Feira Santa – Sua última quaresma e Semana Santa nos deixou quase sem palavras, o testemunho mais forte de como, segundo o modo que nos indicava, devíamos viver esse tempo de graça e conversão. Assim testemunha a respeito de sua última Sexta Feira Santa o arcebispo Mokrzyck:

“Aquela manhã de Sexta feira Santa não se diferenciava em nada das outras manhãs… Parece que até o final seguia confiando que poderia estar lá embaixo, no Coliseu. Porém, tanto os médicos como as pessoas que colaboravam na casa sabiam muito bem que naquela Sexta Feira Santa ele iria ficar em casa, isto estava claro já há bastante tempo. Ele estava sentado diante da televisão em sua Capela privada. Essa imagem do Papa seguindo a Via Crucis pela televisão – e pela televisão viu-a todo o mundo , uma vez que foi transmitido por vários canais. Queria seguir com toda a multidão, a Via Crucis. Ele queira vê-la, ainda que fosse desse modo, e participar dela. A Via Crucis no Coliseu começou com a  leitura da carta do Santo Padre:

Joao Paulo II e a Cruz“A adoração da Cruz nos faz lembrar de um compromisso que não podemos evitar: a missão que Paulo expressava com as palavras: ‘Completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo em favor do Seu Corpo que é a Igreja” (Col 1,24). Eu também ofereço os meus sofrimentos para que o desígnio se cumpra e Sua Palavra caminhe entre as pessoas. Além disso, me sinto próximo daqueles que, neste momento, se encontram provados, pelo sofrimento. Peço por cada um deles. Neste dia memorial de Cristo crucificado, contemplo e adoro convosco a Cruz e repito as palavras da Liturgia: ‘O crux, ave spes única’. Salve ó Cruz, única esperança, dá-nos paciência e valentia, e obtém a paz para o mundo!”

Confiante na Divina Misericórdia – Nós estávamos ali, sentados, junto ao Santo Padre na Capela – recorda o arcebispo. Era difícil conter a emoção. Aquela era uma confissão de Fé como nunca antes havia vivido. O Santo Padre estava ali, sentado, com o tubo de traquéia, e dizendo às pessoas que louvava aquela cruz, e que a oferecia por todos nós, para que compreendêssemos o que Deus nos estava querendo dizer. Penso que de muitas pessoas se lhes abriram os olhos e os corações. Estou seguro disso.

Papa João Paulo e Jesus Misericordioso O arcebispo recorda que, em um certo momento o Santo Padre nos pediu que lhe déssemos uma cruz – nos explica: Ele queria levar a cruz, com Cristo. Literalmente sentia a necessidade de levá-la com Ele. Fisicamente, não no sentido figurado. Porque sempre a abraçara, com amor e zelo.

“Não sabemos os acontecimentos que nos reserva o milênio que está a começar, mas temos a certeza de que este permanecerá firmemente nas mãos de Cristo, o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19, 16)”  (João Paulo II, Novo Millennio ineunte, 35)

Fonte: Apostolado da Divina Misericórdia (testemunhos do arcebispo, traduzidos por Xavier Bordas – tradutor no Santuário da Divina Misericórdia Lagiewniki – Polônia)

 

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