Pentecostes é hoje

pentecosteA Nova Aliança, nascida do coração transpassado de Cristo, é plantada nos corações dos discípulos pela atuação poderosa do Espírito Santo, Espírito de amor do Pai e do Filho

Pentecostes era, no Antigo Testamento, uma festa de grande significado para os israelitas. Todos deviam ir a Jerusalém agradecer pelo início da colheita de trigo. Era também chamada festa das semanas por ser celebrada sete semanas depois da Páscoa. No quinquagésimo dia – “pentecostes” significa cinquenta dias-, depois da páscoa, todo o povo se reunia em Jerusalém para a grande ação de graças pela colheita, oferecendo as primícias ao Senhor.

Desde o séc. II esta festa, originariamente agrária, passou no Judaísmo a ser celebrada como memória da promulgação da lei mosaica, no Sinai, festa da Aliança. É no contexto desta festa, quando em Jerusalém havia uma grande concentração de fiéis judeus, inclusive vindos de outras nações – da diáspora, que São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, coloca a manifestação do Espírito Santo. Assim: “Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam reunidos no mesmo lugar.

De repente, veio do céu um ruído como de um vento forte, que encheu toda a casa em que se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas conforme o Espírito lhes concedia expressar-se”(At 2, 1-4). O livro dos Atos continua a narrativa acentuando o fato de que em Jerusalém estavam presentes pessoas de todas as nações e cada um ouvia os apóstolos falarem como se fosse na própria língua. Foi nesse dia que Pedro, cheio de coragem, anunciou a ressurreição de Jesus, conclamando os ouvintes à conversão. Pedro fechou sua proclamação com estas palavras:

“Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disso nós somos testemunhas. E agora, exaltado pela direita de Deus, Ele recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai e o derramou, como estais vendo e ouvindo…Portanto, que todo o Povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”(At 2,32-36).

Os ouvintes, tocados pela palavra de Pedro, “ficaram com o coração compungido e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos” sobre o que fazer agora. “Pedro respondeu: convertei-vos, e cada de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados. E recebereis o Espírito Santo” ( At 2, 37-38). Naquele dia foram batizados, “mais ou menos três mil pessoas”(At 2,41). Na festa judaica das colheitas, quando as primícias eram oferecidas em Jerusalém, verifica-se a primeira colheita, fruto do grão de trigo semeado na Cruz.

Jesus mesmo havia falado do Espírito Santo, que haveria de vir sobre os apóstolos: “quando, porém, vier o Defensor que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo” (Jo 15,26-27). Pedro, que dois meses antes teve medo de dar testemunho de Cristo, negando-o por três vezes, proclama corajosamente diante de todo o povo que Jesus é Senhor e Messias.

Suas palavras queimam como fogo e fazem a primeira porção de convertidos. A Nova Aliança, nascida do coração transpassado de Cristo, é plantada nos corações dos discípulos pela atuação poderosa do Espírito Santo, Espírito de amor do Pai e do Filho. A nova lei é vida no coração dos que creem. O Verbo grego mais usado no livro dos Atos para comunicar a mensagem da salvação é o verbo “querissein”, que significa proclamar em público, com força, de modo a tocar os corações. Hoje, como ontem, é preciso proclamar Jesus como salvação para a humanidade. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Os bispos, no documento de Aparecida afirmam: “necessitamos que cada comunidade cristã se transforme num poderoso centro de irradiação da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança”(n. 362). Pentecostes não é, pois, um acontecimento perdido no passado, é ação permanente do Senhor em sua Igreja.

A Igreja está a convocar todos os fieis para retomar com novo ardor a missão de testemunhar e de anunciar Jesus Cristo como Salvador da Humanidade. Para que isso aconteça é necessário que cada um de nós renove e aprofunde a experiência do encontro com Cristo. Isto é obra do Espírito Santo.

Assim nos ensina o documento de Aparecida: “esse encontro deve renovar-se constantemente pelo testemunho pessoal e comunitário, pelo anúncio do querigma e pela ação missionária da comunidade…”(n. 278a). Por isso a Igreja repete sempre de novo:

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”.

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues é arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Sorocaba (domeduardo@arquidiocesesorocaba.org.br)

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