REINADO EUCARÍSTICO

Por que está Jesus Cristo na Eucaristia? – ensina-nos S. Pedro Julião, nos seus escritos –“ A Divina Eucaristia” , herança do seu grande amor por Jesus Sacramentado.

Tal pergunta, se pode ter muitas respostas. Tem no entanto uma que a todas resume: Jesus Cristo está na Eucaristia porque nos ama e quer que nós o amemos. O Amor, eis a razão de ser da instituição da Eucaristia. Sem ela, o Amor de Jesus Cristo seria apenas um Amor de Morte, passado, esquecido dentro em breve – e isso sem culpa da nossa parte. Só a Eucaristia satisfaz plenamente as leis e as exigências do amor. Jesus Cristo, dando-nos nela provas de Amor infinito, tem direito de ser nela amado.

O amor vive, pois, com Jesus presente no Santíssimo Sacramento do Altar… Nosso Senhor, no Santíssimo Sacramento, espera dos homens os mesmos tributos que lhe foram rendidos por aqueles que tiveram a ventura de privar com Ele em sua vida mortal. Está ali a fim de receber as homenagens pessoais à Sua Santa Humanidade. Em virtude dessa presença real o culto público tem um motivo, uma vida. Sem ela, como tributar à Santíssima Humanidade de Nosso Senhor os respeitos e as honras que lhe são devidos?

Podemos chegar-nos ao Salvador em Pessoa, vivo. Podemos vê-lo, falar-lhe. Por Ele vamos diretamente a Deus, chegamo-nos a Ele, qual em sua vida mortal. Podemos adorar com os pastores, prostrar-nos com os Reis Magos, sem ter de lastimar nossa ausência em Belém e no Calvário”

SÃO PEDRO JULIÃO EYMARD – nasceu no século XIX e marcou toda a Igreja com o verdadeiro culto a Jesus Eucarístico. Pertencia a uma família tão religiosa que a própria mãe o levava diariamente na Igreja para receber a benção do Santíssimo. Certa vez o menino de cinco anos desapareceu de casa e quando o procuraram na igreja encontraram Pedro diante do sacrário com esta resposta lábios: “Estou falando com Jesus”. Foi diante de Cristo Eucarístico que Pedro descobriu sua vocação ao sacerdócio.

Percebendo a indiferença do povo para com Jesus Eucarístico e inspirado por Nossa Senhora, fundou o Instituto do Santíssimo Sacramento, pois tinha concluído: “É necessário tirar Cristo do sacrário, apresentá-lo ao povo como grande Senhor, Mestre, Salvador, vivo, real em nosso meio”. Instituiu na Igreja a Adoração Perpétua, deixando vários escritos, dirigidos aos sacerdotes, aos religiosos religiosas e também aos leigos, em honra ao Santíssimo Sacramento.

“ADVENIAT REGNUMN TUUM” – “VENHA A NÓS O VOSSO REINO” (Lc 11,2)

É preciso fazer Jesus Eucarístico sair de Seu retiro para pôr-Se de novo à testa da sociedade cristã que há de dirigir e salvar. É preciso construir-Lhe um palácio, um trono, rodeá-Lo de uma corte de fiéis servidores, de uma família de amigos, de um povo de adoradores.

Amai muito Nosso Senhor, que é tão pouco amado, pois raras são as almas que se dão inteiramente a Ele! Ai de nós! Enquanto nos envolvemos nas coisas deste mundo, pouco ou nada fazemos por Deus. Que humilhação para Nosso Senhor estar o demônio a reinar na terra! E como é desconhecido até no mundo religioso, o mandamento de amar a Jesus Cristo de todo o coração!

Mas para chegar a este ponto, deveis nutrir-vos a alma com a piedade, com o Amor divino, com a oração que a educa e alimenta. Amai, e atiçai o fogo do amor.  Nutri-vos também a alma com a Sagrada Comunhão, que é, por assim dizer, a Encarnação do Amor divino em vós, é-lhe a chama do dia; comungai, apesar de tudo, comungai todas as vezes que vo-lo for permitido. Alegareis que não sois dignos, e é verdade, como também os anjos não são dignos e toda a nossa santidade não nos merece uma só Comunhão em toda a nossa vida. Mas dela careceis, sois fracos e é o Alimento fortificante; quereis amar a Deus, e é o Sacramento do Amor. Visto sob este prisma, deveríamos até, se fosse possível, comungar em todas as horas do dia.

Desenvolvei em vós o foco de amor, pelas leituras espirituais que nos restituem a liberdade de espírito e a pureza do  pensamento. Feito isto, depois de terdes procurado nutrir a alma com este fogo de Amor divino, ide e andai por onde quiserdes, pois seguis um caminho seguro. Siga na santa alegria de sua lei, levando e transmitindo o Seu amor.

Se o relógio da vida pudesse volver às primeiras horas de nossa existência, como haveríamos de ser mais sobrenaturais! É preciso, porém, nos contentarmos com as poucas horas que ainda sobram para alcançarmos o meio-dia da eternidade. Mas como nos tornar sobrenaturais? Pela Caridade divina ativa. E que vem a ser a Caridade divina ativa? É  a cooperação de nossa vontade com a Graça que nos é dispensada. É o fiat de nós mesmos em Deus, é a adesão da alma a Deus. É, numa palavra, o Amor de Deus, lei, centro e fim de nossa vida – a nossa vocação. Sois de Deus, pertenceis sempre a Deus; é preciso, pois, viver continuamente de Deus, repousar em Deus, alegrar-vos em Deus. Ora, como o podereis senão pela Sagrada Comunhão?

Considerai a Santa Comunhão como um puro dom da Bondade Misericordiosa de Deus, um convite à sua Mesa de Graça, porque vós sois pobre, fraco e doente; então ireis cheios de alegria ao Seu encontro. Parti, pois, deste princípio: quanto mais pobre sou, tanto mais preciso de Deus. Seja este o vosso passe para chegar-vos ao bom Mestre. É a Comunhão de enfermo, muito agradável a Deus, que vos há de sarar completamente.

Quando Nosso Senhor, pela Sagrada Comunhão, se apossa de um coração, uma vez que seja, deixa inapagável a lembrança e o vestígio de sua passagem. É um reino conquistado, onde Jesus reinou pelo menos alguns dias. Comungai para amar, comungai amando, comungai para amar mais.

Ah! Se pudéssemos compreender estas palavras de São Paulo: “Não sou mais eu quem vivo, mas Jesus Cristo que vive em mim“! E esta ainda: “É preciso que Jesus cresça em nós até o estado de homem perfeito“! De fato, Jesus tem em cada homem um nascimento e um desenvolvimento espiritual. Ele quer glorificar o Pai em cada um de nós.

Não vos afastei Dele, que vos disse: “Se permanecerdes em mim e se minhas palavras permanecerem em vós, tudo quanto quiserdes vos será concedido“. Colocai-vos, não nos raios do sol, mas no próprio sol, e tereis todos os raios em essência; então nada será capaz de enfraquece-vos. Que os defeitos, e os próprios pecados, sejam purificados e corrigidos como a ferrugem da espada lançada à chama e logo consumida pela ação súbita do fogo.

Permanecei antes na luz da Bondade de Deus, que é o Espírito Santo. A luz é o conhecimento de sua Perfeição, das minúcias e das razões do seu Amor, em seus dons, em sua manifestação ao homem. É em nós que o Espírito Santo ora e geme por meio de indizíveis suspiros de Amor. O Reino de Deus, a que se referem as Sagradas Escrituras, é o Reino interior de Deus no homem, que reina sobre a sua inteligência pela fé, sobre o seu coração pelo  amor, sobre o seu corpo pela obediência e fidelidade. O vento não penetra numa casa bem fechada. A alma que sabe permanecer em Jesus tampouco experimenta o furor das tempestades. Procurai alcançar essa morada bem-aventurada. Jesus disse-nos: “Quem permanece em mim e eu nele, produz frutos em abundância“.

Que felicidade viver nessa atmosfera divina! O mundo é um Calvário que crucifica tanto os bons como os maus. Quantos sacrifícios surgem a cada instante! Fazei-os bem por amor a Deus. Mas sejam sempre graciosos no dever, generosos na virtude, piedosos no amor, e sereis tal qual Deus vos quer. Uma regra importante de santidade é saber encontrar tempo para cuidar da alma. O demônio muitas vezes nos leva a desperdiçar. Oração a Deus e por nós mesmos, eis a primeira lei. Entrai também na meditação, é a bússola da vida e o alimento da virtude; é a graça da educação da alma pela Graça, pelo próprio Deus; é a senha matinal que vos fará passar bem o dia todo. Não desanimeis nunca diante deste exercício fundamental, e não vos admireis se o demônio, nosso inimigo, o atacar com violência. Santa Teresa disse que “o demônio considera a alma que persevera na oração como perdida para ele”. É nas palavras de Santo Afonso de Liguório, o meio infalível de santidade: “A meditação e o pecado, não podem morar juntos”. Quem tem o espírito de oração, tem tudo; é o remédio para todos os males.

Aprendei a conversar com Jesus e Maria como conversais intimamente com vosso pai e vossa mãe. Aprendei a prestar conta minuciosa a Nosso Senhor de vossa alma, de vossa vida. Contai-lhe os vossos pensamentos, vossos desejos, vossas tristezas. Falai simples e singelamente com Nosso Senhor, como ao seu melhor amigo, que na verdade Ele o é. Pedi a Nossa Senhora esse dom da oração, dom que a todos os dons encerra.

Não é exato que quem possui a Deus possui tudo? Deus substitui a tudo de modo infinito. É pai, mãe, amigo, protetor,  consolador. “Meu Deus e meu tudo!”, gostava de repetir São Francisco de Assis. Sim, agarrai-vos à confiança e ao santo abandono; é a cadeia que não se rompe, o sol que não se eclipsa, a verdadeira vida do coração. Quanto às tentações, ocultai-as sempre em uma das Chagas de Nosso Senhor e amável Salvador. E, em plena tempestade, ocultai-vos no buraco da pedra preciosa, isto é, em Nosso Senhor Crucificado.

Depois descansai em paz no seio da Misericórdia Divina. Sereis mais agradável a Deus se não vos voltardes a contemplar Sodoma e Gomorra incendiadas, mas se contemplardes a Cruz e o Amor de Jesus, e depois o Céu, fim da viagem. Que o Coração ardente de Amor de Jesus vos seja força, asilo, centro e calvário, que seja o túmulo do vosso ser, e depois a ressurreição, a vida, a glória.

Conservai a alma junto a Jesus no Santíssimo Sacramento, depois entregai-vos a todos e a tudo com paz e liberdade: seja sempre o espírito como o sol, belo e bom; o coração livre como o ar; e Deus em vós. O tempo está passando, o Céu se aproximando e também Deus em seu eterno Amor.

Nosso Senhor saudava os Apóstolos com as seguintes palavras; “A Paz esteja sempre convosco“. Desejo-vos sinceramente essa paz, paz de confiança que se abandona filialmente a Deus e se confia tanto à sua Bondade como à sua Misericórdia. Essa paz de consciência repousa primeiro na humildade, para suportar a própria miséria, e depois na simplicidade da obediência, para trabalhar no espírito de Fé. Não alcançareis essa paz de coração nem pela perturbação, nem pela inquietação, mas pelo abandono à sua divina Bondade e Misericórdia.

Vivei de um Deus, de Nosso Senhor Eucarístico. Observai a marcha da divina Providência em relação a vós. Deus faz tudo, organiza tudo, prevê tudo para vos levar a si. Não cuideis, pois, nem do passado, nem do futuro, mas do presente, atenta à Vontade Divina do vosso bom Mestre, e ele vos levará pela mão através de todas as dificuldades, até a graça e à perfeição do seu Amor.

Sede sempre de Nosso Senhor, a exemplo da Santíssima Virgem, como sua virgem e serva real. Ah! Bem soubestes escolher a melhor parte! Quão belo em pureza, quão bom em Bondade, quão santo em amor é aquele que é o Esposo e o Rei de vosso coração e a lei única de vossa vida!

Ponhamos isso em prática, e havemos de ver o Reino de Deus em nós.


Desejo-vos esse Reinado de Deus, o Reinado Eucarístico de Nosso Senhor. Renovai diariamente esse dom integral de vós mesmo ao Amor e à Glória de Jesus Eucarístico,  e vereis sempre surgir um mundo novo. 

 

 

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