Trindade e Eucaristia

 

11009156_849367411766024_8765563470564549468_nNo número 8 da Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis” O Santo Padre, Bento XVI, nos ensina que a Eucaristia é dom da Trindade Santa. Assim: “Nela, o Deus-Trindade (Deus Trinitas), que em Si mesmo é amor (1 Jo 4, 7-8), envolve-Se plenamente com a nossa condição humana. No pão e no vinho, sob cujas aparências Cristo Se nos dá na ceia pascal (Lc 22, 14-20; 1 Cor 11, 23-26), é toda a vida divina que nos alcança e se comunica a nós na forma do sacramento: Deus é comunhão perfeita de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Já na criação, o homem fora chamado a partilhar, em certa medida, o sopro vital de Deus (Gn 2, 7). Mas, é em Cristo morto e ressuscitado e na efusão do Espírito Santo, dado sem medida (Jo 3, 34), que nos tornamos participantes da intimidade divina.(16) Assim Jesus Cristo, que « pelo Espírito eterno Se ofereceu a Deus como vítima sem mancha » (Heb 9, 14), no dom eucarístico comunica-nos a própria vida divina. Trata-se de um dom absolutamente gratuito, devido apenas às promessas de Deus cumpridas para além de toda e qualquer medida..”
A Eucaristia, pois, condensa em si toda a riqueza de nossa fé. Por esse Sacramento – dos sete, o maior – Deus Trino entra em comunhão conosco e nós entramos em comunhão com Ele. O Pai nos entrega o Filho e, com o Filho e por Ele, nós nos entregamos ao Pai. É o sacramento pelo qual a graça do batismo chega à sua plenitude e se torna sempre mais intensa em nossa vida.
A Santíssima Trindade é a nossa origem, nossa vida e nosso destino. Habita em nós como em seu mais precioso templo. Somos o seu Povo e, como tal, devemos viver na eterna comunhão de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo e em uma sempre mais profunda comunhão com os irmãos de humanidade. Assim como a Trindade se abriu pelas divinas missões para nós, nós somos impelidos também a nos abrir para todos os outros, em permanente missão, no serviço e no diálogo, no testemunho e no anúncio das maravilhas de nosso Deus. A Eucaristia é o sacramento que alimenta em nós este sagrado convívio e nos sustenta na missão. Ela é o sacramento-síntese dos grandes mistérios de nossa fé. Prolonga no tempo o mistério da encarnação, torna presente o mistério pascal de Cristo, é a mesa da Trindade, posta para o seu Povo; é convite e força para a missão, pão dos que caminham, anúncio e antecipação do reino definitivo.
A comunhão de eterno e infinito amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo se abriu para a humanidade, pois “o Verbo, o Filho, – no qual estava a Vida, luz dos homens – se fez carne e habitou entre nós”. O Verbo veio e com Ele veio o Espírito Santo de amor que operou sua encarnação no seio da Virgem Maria e que o conduziu, homem como nós, exceto no pecado, ao encontro de todos os seres humanos a fim de que os levasse à plenitude da vida. Jesus Cristo, o Verbo, Filho, feito um de nós, experimentou em seu coração humano o amor intra-trinitário, na qualidade de Filho e, impelido pelo Espírito, entregou-se, na Cruz, ao Pai para fazer-nos participantes de sua alegria. O sentido de seu sacrifício foi revelado pela sua oração sacerdotal: “e, por eles, a mim mesmo me consagro para que sejam consagrados na verdade. Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim: a fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. Que eles estejam em nós, para que o mundo creia que me enviaste. Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: eu neles e tu em mim para que seja perfeitos na unidade” (Jo 17,20-23). O estar em Cristo nos introduz na sua comunhão com o Pai, que é comunhão no Espírito de amor. Pois bem, no cap. VI, do mesmo evangelho de São João, Jesus diz: “quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Pela Eucaristia, pois, mergulhamos sempre mais na comunhão do Pai com o Filho, no Espírito. A Eucaristia deve ser compreendida, pois, como prolongamento do mistério da encarnação e presença real do sacrifício da Cruz: vinda do Filho para a vida do mundo. Jesus, portanto, está no meio de nós especialmente, e de modo singular, pela santa Eucaristia. O Concílio Vat II assim resumiu o sentido da Eucaristia:
“Na última Ceia, na noite em que foi entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue. Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando destarte à Igreja, sua dileta Esposa, o memorial de Sua Morte e Ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória” (Vat II, SC 47).
Amar, pois, a Eucaristia, participar de sua celebração e permanecer em oração diante do SS. Sacramento não é só dever do cristão, é muito mais: é sua alegria.

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues

 

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